Qual é o futuro da advocacia?

Por Wilson Furtado Roberto (*)

A pandemia trouxe incertezas para todos. E, naturalmente, seus impactos também foram sentidos no mercado jurídico. Nesse cenário, o tal “futuro da advocacia” parece que chegou antes do esperado, afinal, durante a pandemia houve uma aceleração de um processo de digitalização das atividades jurídicas que já estava em curso. 

O isolamento social exigido para conter o novo Coronavírus (Covid-19) obrigou escritórios, advogados, juízes e promotores a se adaptarem à uma nova realidade. E graças à tecnologia, tanto o mercado jurídico quanto às instituições relacionadas ao acesso à Justiça, permaneceram ativas. Recursos como audiências por videoconferência e o processo eletrônico viabilizaram a manutenção das atividades jurisdicionais. Paralelamente, softwares especializados e ferramentas digitais para advogados permitiram que escritórios e advogados continuassem com suas atividades.

Ao que tudo indica, a digitalização das atividades jurídicas é um caminho sem volta. É isso que o futuro da advocacia nos reserva e o profissional que não quer perder seu espaço deve se atualizar. Conhecer o atual panorama do mercado jurídico, as influências da tecnologia e quais são as mudanças esperadas é o primeiro passo para quem quer trabalhar de forma estratégica e prestar serviços a partir de um novo modus operandi. Para quem quer se preparar para o que está por vir, preparamos um post completo sobre o futuro da advocacia. Confira!

Como será o futuro da advocacia?

O mercado jurídico, pouco a pouco, se preparou para o futuro da advocacia, mesmo que o advogado não tenha percebido. Com a digitalização dos processos, a utilização de tecnologias nos Tribunais de Justiça, o desenvolvimento de ferramentas e até mesmo a ascensão de jovens profissionais, o mercado já estava em um processo de modernização. A pandemia, no entanto, acelerou nessa transformação. Isso porque, mesmo escritórios e advogados mais tradicionais precisaram buscar a inovação e a tecnologia para continuar com a prestação de serviços. 

Tecnologias como peticionamento eletrônico, contato com clientes por redes sociais, marketing jurídico digital, intimações enviadas via WhatsApp, assinatura de documentos digitais, audiências virtuais e softwares jurídicos já estavam disponíveis para o advogado. Contudo, muitos deles ainda eram subutilizados, em razão da comodidade e do hábito criado por práticas e rotinas já consolidadas na advocacia.

A utilização desses recursos, no entanto, exige não apenas uma adaptação, como também novos conhecimentos. O advogado que está preparado para a advocacia do futuro precisa conhecer mais do que o Direito e a técnica jurídica. Ele também precisa fazer o bom uso das tecnologias e saber empregar as ferramentas disponíveis no meio jurídico. São essas habilidades que garantem mais eficiência, praticidade e alta produtividade no seu dia a dia. 

Noções de marketing digital e empreendedorismo também são aliados do advogado do futuro. Afinal, com a digitalização do mercado jurídico, a disputa por espaço no meio virtual é um desafio igual para todos. 

Hoje é fundamental agir de forma estratégica para conseguir ter visibilidade dentro da internet, até porque a world wide web se tornou a principal ferramenta de relacionamento de um escritório com seus clientes e potenciais clientes. Nesse cenário, é essencial dominar alguns conceitos de marketing jurídico digital e investir em um bom posicionamento online. 

Qual o melhor uso da tecnologia para o advogado?

São muitas as tecnologias e recursos disponíveis para o advogado no presente momento. No futuro, a tendência é que essas ferramentas se aprimorem cada vez mais, garantindo mais rapidez e eficiência ao profissional. O uso da inteligência artificial aplicada à softwares jurídicos, por exemplo, garante que essas ferramentas tenham melhor usabilidade e sejam mais rápidas. Da mesma forma, o blockchain permite que documentos sejam autenticados no meio online com total segurança. 

Abaixo separamos algumas das ferramentas que auxiliam na digitalização das rotinas jurídicas e trazem o futuro da advocacia mais perto da realidade do advogado.

Software de gestão jurídica

Os softwares de gestão jurídica auxiliam na administração do escritório, seja ele físico ou digital. Estes programas podem desde questões relativas à gestão de processos e tarefas, como também integrar o administrativo e o financeiro do escritório. Questões relativas a produtividade, administração do fluxo de caixa e até cadastro de clientes podem ser resolvidas com poucos cliques graças a essas ferramentas. Além de gerenciar o escritório propriamente, os softwares contribuem de maneira significativa para a tomada de decisões do advogado.

Automação do back office

Todo advogado sabe que o back office, ou seja, atividades relativas ao controle de prazos, publicações e envio de relatórios aos clientes consomem um tempo significativo. Na advocacia do futuro, perder tempo com esse tipo de atividade já não cabe mais. Por isso, inúmeros escritórios estão investindo na automação do back office através de softwares jurídicos ou ferramentas especializadas.

Utilização da inteligência artificial na advocacia

Além das ferramentas já mencionadas, algumas tecnologias específicas estão sendo integradas ao dia a dia do advogado. Um dos exemplos disso é a inteligência artificial, ou “IA”, que permite que softwares e sistemas consigam mapear o comportamento do usuário e assim melhorar a usabilidade da ferramenta.

Meios de se automatizar tarefas humanas que requeiram o uso da capacidade cognitiva humana são estudados desde os anos 50 e é sobre isso que se trata a inteligência artificial; o emprego de emulações de atributos de cognição humana por intermédio de dispositivos não-humanos, tornando tudo mais rápido e em larga escala.

Hoje já existem softwares jurídicos e ferramentas digitais para o advogado que utilizam a inteligência artificial. Graças a ela, o advogado conta com dispositivos que permitem a revisão de contratos em segundos ou de automatização de processos repetitivos. Em tarefas menores, como o reconhecimento de voz, ela também é bastante empregada e pode auxiliar o advogado na execução de suas tarefas.

Além da praticidade e agilidade que esses recursos trazem para o dia a dia do advogado, a inteligência artificial também é um recurso estratégico. Graças à jurimetria, que é a IA (Inteligência Artificial) aplicada a análise de dados jurídicos, o advogado consegue fazer análises precisas da jurisprudência, mapeia o comportamento de juízes e tribunais e tem mais segurança ao oferecer prognósticos aos seus clientes. 

A advocacia remota

Com a existência de tantas tecnologias, o futuro da advocacia pode ser tanto físico quanto remoto, ou virtual. E o que isso significa?

Significa que hoje não é mais necessária a utilização de um escritório para que o advogado realize suas funções, o que é um excelente negócio. O advogado do futuro pode escolher entre ter um espaço físico para atender seus clientes ou simplesmente realizar suas tarefas em um ambiente online.

Hoje em dia o advogado do futuro pode se reunir com clientes sem sair de seu escritório físico ou digital, bastando um computador, conexão com a internet é um programa adequado para a realização da videoconferência.

Se conectar com clientes à distância também é uma realidade na advocacia do futuro, já que redes sociais, como Whatsapp e Instagram, por exemplo, podem facilitar essa aproximação entre profissional e cliente. Não somente isso, mas a possibilidade de armazenamento de documentos e processos em nuvem, através de cloud computing, mantém o necessário sempre à mão. 

O futuro da advocacia já chegou e é hora de buscar se adaptar e agir de forma estratégica. Para quem não quer perder espaço e clientes, esse é o caminho. 

(*) *Artigo escrito em coautoria com Helga Lutzoff Bevilacqua

Fonte: site Juristas – acessado em 13 de julho de 2021.