É possível otimizar o setor financeiro de um escritório de advocacia?

Reinaldo Nagao  (*)

Entre tantas atividades administrativas complexas e arriscadas, existem métodos capazes de estruturar uma gestão financeira eficaz e segura para o segmento do Direito.

 

A gestão de um escritório de advocacia traz desafios importantes e que exigem um alto nível de adaptabilidade por parte dos líderes e suas equipes de profissionais. No setor financeiro, o cenário não é diferente. Fluxo de caixa, controle de custos e de honorários, projeções e planos de contenção de custos são algumas das diversas etapas operacionais que influenciam na obtenção de resultados satisfatórios. Geralmente, o advogado convive com uma receita volátil, seguindo um sistema de remuneração muito mais flexível que o usual. Não há como negar a existência de elementos capazes de travar as atividades financeiras e prejudicar o negócio como um todo.

Nesse sentido, otimizar o campo de finanças de uma organização jurídica não é uma questão secundária ou que pode ser deixada de lado pelos gestores; ao contrário, trata-se de uma peça-chave para que o crescimento do escritório aconteça sem maiores sustos ou dores de cabeça. Apesar das dificuldades que a transição para um gerenciamento coeso pode oferecer, são elas que elucidam oportunidades únicas para deixar a zona de conforto e transformar de vez a perspectiva administrativa e econômica do escritório.

Mudança de mentalidade é indispensável

Antes de qualquer movimentação drástica nas operações da gestão financeira, deve-se pensar sobre a participação dos colaboradores sob uma ótica comportamental. Em outras palavras, não se pode esperar que mudanças benéficas ocorram internamente se não existe qualquer trabalho de conscientização e capacitação do componente humano.

Por exemplo, um erro crasso de profissionais do segmento é misturar finanças pessoais com as do escritório, costume extremamente prejudicial para a impessoalidade do sistema financeiro e à própria cultura organizacional. O protagonismo ainda é exclusivo às pessoas e são elas as responsáveis por encabeçar mudanças significativas.

Seu plano de negócio é funcional?

Um dos principais desafios relacionados ao setor financeiro repousa na abrangência do tema. Trata-se de um departamento afetado com frequência por questões externas e ações tomadas em outras operações. Considerando o impacto desse dinamismo, é de suma importância que se pense na criação de iniciativas e estratégias adaptáveis e flexíveis, cuja proposta maior seja disseminada no âmbito interno.  O trabalho no fluxo de caixa é diário e não há espaço para falhas críticas. Na missão por mais assertividade, é fundamental se atentar ao orçamento estipulado e priorizar um controle de gastos responsável.

Seguindo esse compromisso e o planejamento financeiro estabelecido previamente, o gestor precisa se apoiar na certeza de que entradas e saídas estão sendo acompanhadas e provisionadas. Pode parecer primário, mas não é difícil se deparar com escritórios que não concedem as devidas atenções à consolidação de uma base econômica minimamente funcional.

Inovação é ponte para o Compliance

De um modo geral, o plano financeiro é diretamente afetado pela estratégia principal do negócio. Investimentos, distribuição de recursos, aprimoramentos técnicos, contratação e capacitação de profissionais fazem parte da governança corporativa e impacta os resultados esperados. Se existe alguma unanimidade no mercado, é de que os processos estão em constante evolução. Permanecer em um campo estático e inoperante diante tantas soluções inovadoras e tendências a se absorver não é uma alternativa compatível com escritórios de advocacia em pleno 2020.

No ano em que a LGPD entrou em vigor, ainda em passos vagarosos para que o texto previsto pela nova legislação seja aplicado em sua totalidade, é necessário aprimorar o tratamento em relação ao fluxo e armazenamento de dados. Para o setor financeiro, essa missão ganha tons de obrigatoriedade, na medida em que lida com informações sensíveis e de cunho pessoal. A conformidade, por meio da introdução do Compliance no ambiente corporativo, surge como um requisito essencial para que a integridade das atividades administrativas seja garantida, e isso se estende para a área de finanças.

Encerro o artigo destacando a importância de se adotar uma visão ampla e estratégica sobre o tema debatido. Com a mudança comportamental bem institucionalizada, o aprimoramento técnico incentivado nos procedimentos e o respeito à nova concepção que o país e a população apresentam sobre os dados fornecidos, o escritório de advocacia terá totais condições de potencializar suas conquistas econômicas.

(*)Sócio na FNCA Advogados. Formado em Direito, o executivo possui mais de 12 anos de atuação no mercado, com especialização no departamento de Direito Tributário.

 

Fonte: site Migalhas, acessado em 17/12/2020