Advocacia: Perfil do Gestor de Controladoria Jurídica

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Na atualidade, imensa é a procura por profissionais com capacidade de gerir uma equipe responsável pelo administrativo dos Processos Jurídicos, seja no âmbito dos grandes escritórios ou não. Como o objetivo é a maior eficiência e melhor eficácia do empreendimento Jurídico, algumas premissas passam a ter relevância para o perfil do profissional que assumirá a coordenação do controle processual. Apenas um rico currículo não é garantia de sucesso daquele que será o gestor de uma Controladoria Jurídica.

Este “controlador” deverá conhecer todas as rotinas, não só do Escritório, como também as rotinas Jurídicas e seus entremeios perante as tramitações de documentos e situações que exijam ações específicas.

Contextualmente, uma questão se faz premente: como gerir, com efetividade uma organização, como um Escritório de Advocacia, que possui características bastante complexas e peculiares?

A resposta para esta questão passa pela centralização dos controles a que esses escritórios devem se ater, como também no perfil e características que o “controlador” escolhido disponha.

Para Doz (1994 apud Gianfaldoni, 1999, p.6) as competências individuais podem ser definidas como “o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que cada pessoa possui ou desenvolve, a qual se consegue colocar em ação para um determinado propósito”.

Para Fleury e Fleury (2001, p.24), diferenciam-se três grandes blocos de competências:

  1. Competência de negócio – relacionada à compreensão do negócio ou setor;
  2. Competência técnico profissionais – especificamente ligada a operações, ocupações ou às atividades que serão lideradas e desempenhadas;
  3. Competência Social – necessária para interagir e extrair o melhor das pessoas.Então podemos afirmar que o perfil do “controlador” passa pelo conjunto de todas as competências acima citadas, bem como se torna necessário a percepção dele quanto a:
  1. Entendimento geral do setor e área jurídica a que o escritório pertence ou está diretamente relacionado;
  2. Conhecimento amplo do escritório quanto à sua história, suas políticas, sua organização e seu papel social perante a comunidade;
  3. Entendimento e conhecimento dos problemas básicos do escritório, organização, planejamento e controle;
  4. Entendimento dos problemas principais que afligem os colaboradores do escritório;
  5. Habilidade para analisar, interpretar e se expressar escrito e verbalmente.Muitas das qualificações supramencionadas devem ser comuns a todos os gestores e além delas, trazemos a baila também o perfil pessoal deste importante profissional para o desempenho eficaz das tarefas a seu encargo:
  1. Iniciativa: antecipar e prever problemas no âmbito da gestão e fornecer informações claras em busca da solução junto a alta administração e/ou Sócios do escritório;
  2. Visão econômica: captar os efeitos econômicos das atividades exercidas, estudar os métodos utilizados no desempenho das tarefas e sugerir alterações que rentabilizem os resultados;
  3. Visão para o futuro: analisar o teor dos resultados com vista a implementação de ações que melhorem a performance de toda a equipe;
  4. Persistência: acompanhar continuadamente as funções, estudar, interpretar e liderar junto a sua equipe ações de melhorias;
  5. Cooperação: assessorar sua equipe para superar os pontos fracos sem se limitar a criticá-los pelo tímido ou inexpressivo resultado. Lutar e vencer juntos;
  6. Imparcialidade: fornecer informações sobre a avaliação e cumprimento de metas de sua equipe e do corpo técnico, mesmo quando sinalizam ineficiência na gestão;
  7. Persuasão: firmeza no convencimento da alta administração e/ou Sócios para a implantação de sugestões e melhorias para o escritório como um todo ou para o seu setor, apresentando medidas concretas e eficientes;
  8. Consciência de suas limitações: essencial para as diferentes situações que um escritório e os colaboradores apresentam no cotidiano;
  9. Ética: ter sua conduta balizada em valores morais aceitos de forma absoluta pela sociedade;
  10. Liderança: ao dispor de colaboradores, compete ao “controlador” conduzi-los à realização de suas tarefas de forma eficiente e eficaz para que o grupo como um todo atinja e vença em seus objetivos!Como foi demonstrado, o “controlador” precisa ser por excelência um generalista, com capacidade de entender profundamente o escritório e sua área de atuação, bem como além de entender, manejar e buscar novos métodos, análise e forma de atuação junto a sua equipe.

    Concluímos reafirmando que o” controlador” é um profissional cada vez mais indispensável e altamente estratégico no fornecimento da visão sistemática, profissional e crítica do escritório.

*Flávia Angelini – Sócia RESULTATO

flavia@resultato.com.br