Era da Gestão

* Inácio Chagas Berlitz
Consultor de Comunicação da RESULTATO, jornalista e especialista em Marketing

Quem poderia imaginar há duas décadas que os escritórios de advocacia fossem se preocupar com gestão?
Hoje, o faturamento anual dos 100 maiores escritórios de advocacia no país chega aos R$ 2,4 bilhões, conforme estudo do matemático Marco Antônio Leonel Caetano, professor de programas executivos e mestrado do Ibmec São Paulo. Esses números demonstram dois fatos. Primeiro: a profissionalização da administração dos escritórios é uma realidade. Segundo: a advocacia se tornou “business”, virou “negócio” e escritórios, em empresa, na avaliação da presidente da Fenalaw, Anna Boranga, a idéia romântica do “advogado artista”, segundo ela, aplica-se atualmente para meia dúzia de pessoas.
Para boa parte dos “players” (uma expressão do mundo corporativo, que pode ser aplicada aqui), o
crescimento significativo do mercado jurídico nesse período de 20 anos foi ocasionado pelos processos de privatização, fusões e aquisições e a expansão geográfica das grandes corporações, entre os principais fatores. Essas alterações no perfil da atividade econômica do cliente contribuíram para aumentar a demanda por serviços jurídicos mais especializados, como nas áreas tributária, de licenciamento ambiental e de energia, em níveis de prospecção e de distribuição.
Como advocacia se tornou “business”, reforçando o que disse Anna Boranga, vale lembrar o negócio
bilionário envolvendo a construção de duas plataformas, avaliado em US$ 3,5 bilhões, no projeto
Barracuda-Caratinga da Petrobras, assessorado pelo escritório da Trech, Rossi. O negócio mereceu destaque na última pesquisa da Análise Advocacia, que apurou o perfil de 141 escritórios de advocacia no Brasil.
O que viabilizou tudo isso? A gestão, que parecia modismo nos escritórios de advocacia no início dos anos 90. Mas foi de Décio Freire, sócio-fundador da Décio Freire & Associados, de Minas Gerais, a constatação mais original sobre a gestão em escritórios de advocacia, citada em entrevista ao Consultor Jurídico: “o escritório de advocacia precisa ter o mesmo nível de gestão que as empresas para quais trabalha”.
Ter o mesmo nível de gestão significa trabalhar com metas, custos e, fundamentalmente, planejamento estratégico, o que não é mais privilégio para os 100 maiores escritórios de advocacia no país. Os pequenos escritórios já recorrem às assessorias de gestão especializadas. Sabem que é preciso ter capacidade de gestão para competir entre os operadores do Direito da vizinhança e buscam no marketing ações de diferenciação no mercado.
Nesse quesito, Décio Freire não esconde sua estratégia de atuação em se tratando de qualidade de serviço: “tratamos as ações como se fôssemos escritório pequeno”. Considera que o segredo de tudo é atender como escritório pequeno, estar à frente de tudo, ter a pessoalidade. Para definir estratégias, como essa, é preciso profissionalizar e implantar novas formas de administração.
Bem-vindos à Era da Gestão. Se tudo parecer novidade, seja um bom observador, um bom ouvinte. Lembre-se que sua vocação é o Direito e não a Gestão. Busque apoio de uma assessoria especializada em gestão. Especialize-se. Esteja atento a cada necessidade do cliente. E para entendê-lo melhor, trate seu escritório de advocacia como empresa. Não tente imaginar o mercado jurídico nas próximas duas décadas sem planejar o aqui e o agora. Escolha a calculadora da sua preferência. Esteja à frente de tudo e compartilhe a vibração dos bons negócios.