Controladoria jurídica como estratégia da nova advocacia

Talvez pareça exagero, mas pela experiência diária, é possível afirmar que a controladoria retira do advogado tarefas administrativas pré-processuais, que apesar da absoluta relevância, roubam até 50% do tempo

Eduardo Henrique Jesus Santana (*)

Num cenário disruptivo onde novos negócios surgem a cada dia, a velha advocacia artesanal, segue respeitada pelos princípios profissionais que a sustentam, porém, sofre mudanças para aqueles que a utilizam no formato com maior abrangência de atuação, especialmente a advocacia full service.

Vivemos uma atualidade de diversas tecnologias em vários segmentos, e com elas as dificuldades de reconhecimento da necessidade e de adaptação.

A advocacia moderna não é diferente, modernidade esta que exige a mudança de postura de velhos e novos profissionais, cada vez mais forçados ao olhar de gestão do próprio negócio.

O novo processo judicial se afasta cada vez mais da materialidade do papel e na grande maioria dos casos não mais realizamos uma distribuição de um processo de forma física, e sim na forma eletrônica facilitando e dirimindo custos de operacionalização na vida dos atuais e futuros causídicos do Brasil.

Está ficando para trás a imagem de um escritório com a mesa com aquele processo de vários volumes, esperando para ser folheado por horas para que se dê o devido prosseguimento na demanda, armários abarrotados de arquivos processuais e escaninhos, já deixam de ser uma realidade.

Com a implantação dos sistemas de gestão processual no âmbito do poder judiciário, o ambiente “poluído” dá lugar a um ambiente “clean” no escritório.

A tradicional forma de advogar não se sustenta mais de forma eficiente, principalmente para os escritórios que lidam com volume contencioso, isso porque, o advogado já não suporta mais a multifuncionalidade desfocada, sendo cada vez mais improducente o cuidar dos prazos; executá-los; comparecer em audiências; preparar memoriais; fazer sustentações orais e atender seus Clientes de forma satisfatória. Como ainda se vê comumente, pode até conseguir, mas não será com a devida qualidade e presteza que o Cliente moderno exije. Exigência esta que faz com que os Sócios e gestores de qualquer banca jurídica, com objetivos bem traçados no mercado competitivo, repensem a forma de atuação mitigando falhas no fluxo de todo o Escritório, zelando pelo funcionamento efetivo, e contemplando a excelência dos serviços, gerando envolvimento dos colaboradores, extraindo o melhor de cada membro envolvido no desenrolar de atuação da nobre profissão.

Para isso, surge a Controladoria Jurídica como ferramenta modificadora na atuação em serviços jurídicos, agindo como mecanismo de direcionamento das diversas demandas afetas à banca jurídica.

O setor da controladoria vem como mão amiga ao advogado contemporâneo, pois nela se concentra toda a parte burocrática, porém fundamental em torno das fases pré-processuais, e em todas as etapas do processo, indo além, entregando todo o resultado das demandas no escritório através de relatórios, objetivando a máxima de que só é possível gerir e aprimorar aquilo que se mede.

Pode-se dizer com total certeza que a ferramenta controladoria, deixa mais cristalino tudo aquilo que se passa pelo fluxo procedimental, pois a partir desses resultados, o escritório tem inclusive como mensurar todo o trabalho realizado pelo corpo jurídico, criando estratégias para corrigir vícios no fluxo procedimental e até mesmo buscar uma forma de aprimorar a sistemática que já se executa dentro do escritório, entregando a todos os membros e especialmente aos clientes, indicadores capazes de influenciar na tomada de decisões.

Talvez pareça exagero, mas pela experiência diária, é possível afirmar que a controladoria retira do advogado tarefas administrativas pré-processuais, que apesar da absoluta relevância, roubam até 50% do tempo em torno de uma determinada situação processual, prejudicando um melhor desempenho na parte técnica e estratégica, essencial na atuação profissional.

Como braço agregador, a controladoria jurídica em escritórios somam forças também na gestão jurídica corporativa de clientes e parceiros, falando a mesma linguagem no sentido de fazer cumprir os procedimentos corporativos já existentes em grande parte de grandes grupos empresariais, contribuindo assim, com a erradicação de problema como fraudes internas e externas, alinhando assim às medidas afetas à tendência de compliance corporativo, mitigando riscos operacionais na gestão dos contingentes processuais e consultivos existentes.

Enfim, a nova advocacia, especialmente a corporativa, substituiu o romantismo artesanal pela inserção de métricas e resultados como elemento de agregação de valor aos serviços jurídicos, através de gestão processual e de apoio; estabelecimento de padrões de monitoramento; direcionamento de recursos e subsidiando a tomada de decisões.

Eduardo Henrique Jesus Santana

5° Semestre de Direito – Faculdade Cândido Rondon
Controller Jurídico na Peixoto & Cintra Advogados Associados
Apreciador e transmissor da boa música, amante dos esportes outdoors e adepto do mindset positivo.